Fiscalização registra alojamento rural precário em fazenda brasileira

Condições degradantes em fazenda configuram trabalho análogo à escravidão

Justiça reconhece trabalho análogo à escravidão em fazenda com alojamento precário, água sem tratamento e ausência de segurança.

A Justiça reconheceu que trabalhadores de uma fazenda em Mato Grosso do Sul foram submetidos a condições análogas à escravidão. A decisão, publicada em 6 de agosto de 2026, fixou indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos e destacou que a caracterização não depende da restrição física da liberdade.

O que a fiscalização encontrou

A ação foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho após uma fiscalização que resultou em 13 autos de infração. Foram registrados trabalhadores sem anotação e sem salários, alojamento próximo a depósitos de agrotóxicos, água sem tratamento, falta de local adequado para refeições e instalações elétricas inseguras.

O transporte era realizado na carroceria de caminhão e havia adolescentes de 17 anos entre os trabalhadores. O conjunto das irregularidades indicava risco à saúde, à segurança e à dignidade das pessoas envolvidas.

Condição degradante também caracteriza o crime

O artigo 149 do Código Penal inclui entre as formas de redução à condição análoga à de escravo a submissão a trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição de locomoção em razão de dívida. Não é necessário que exista cárcere ou vigilância armada quando a prova demonstra condições degradantes graves.

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho considerou que as violações ultrapassaram o descumprimento isolado de obrigações trabalhistas. Para o colegiado, as condições atingiram valores fundamentais da coletividade e contrariaram os padrões mínimos de proteção estabelecidos pela Constituição e pela legislação.

Direitos que devem ser preservados no trabalho rural

  • registro do contrato e pagamento regular dos salários;
  • água potável e instalações sanitárias adequadas;
  • alojamento distante de produtos tóxicos;
  • local seguro para descanso e alimentação;
  • transporte em condições regulares;
  • equipamentos de proteção e instalações elétricas seguras;
  • proteção integral de adolescentes contra atividades proibidas.

Fotografias, vídeos, localização da propriedade, nomes de colegas, mensagens e documentos da fiscalização podem ser importantes para demonstrar as condições reais. Denúncias também podem ser encaminhadas aos órgãos de fiscalização e ao Ministério Público do Trabalho.

Quem estiver submetido a condições degradantes deve priorizar a própria segurança e buscar orientação especializada. Conheça nossa atuação em Direito do Trabalho e os canais de contato.

Processo: RR-0024081-48.2024.5.24.0076
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho.

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